sábado, 23 de outubro de 2010

Outubro

E acabou o amor em lágrimas quentes e corrosivas, fluindo de minha alma toda a dor e a saudade do que passou e do que nunca veio. Acabou em meus antros a esperança que faz do homem vivo, e mais ao fundo, acabou a força de vontade que te desperta todo o dia. Rompe retumbante, agora, o que nunca foi meu, o ódio, e se espalha por minhas peles e roupas: transforma-me em algo que possa resistir a guerra da vida, à todas as dores e ao amor, também. Faz barulho, suga e estimula, e vai mudando o que sou e o que pretendo ser. Infiltra em mim futilidades e desesperos sufocados da sociedade capitalista, pois assim, perco meu tempo com outras coisas, ao invés de viver aquilo que me machuca. E vou esgueirando-me por entre os espinhos, já que agora, tudo virou tristeza e raiva, também. E vai, vai, vai… Longe de casa, elefantes são derrubados por tiros tímidos, e a caçada faz dos grandes: vítimas. Minha pele não era tão forte. E agora, outubro passa, e eu vou paralisando as mudanças e as vontades, estou à deriva. Acabou o amor, e eu só espero que outubro acabe, também.

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